Me, shockling enough, in a dress. But cute as always!
Porque isto de trabalhar numa Embaixada tem regalias mais profundas do que a mera aquisição de bilhetes gratuitos para o concerto do David Fonseca em Madrid. Oferece, a um estagiário explorado a custo zero, a inestimável possibilidade de entrar nos mais restritos circuitos sociais da diplomacia nacional além-mar (
ou além Badajoz). Isto é, receber um convite formal (pelo circuito interno de e-mails da DGACCP) para estar presente no Lanche de Natal que suas excelências, os Embaixadores, gentilmente oferecem aos funcionários diplomáticos e às respectivas famílias na sua modéstia residência oficial, o Palácio que alberga a Embaixada, numa sexta-feira ao fim da tarde.
Fora o profundo sarcasmo impresso no parágrafo findo, a verdade é que fiquei bastante, digamos,
abananada, com o convite. O que é que eu, estudante universitária, cliente do McDonalds, compradora de roupa nas afiliadas do mundo Zara e utilizadora de ténis deste que os meus pés assimilaram a função motora já lá vão 20 anos, sei sobre estar presente num
Lanche de Natal oferecido pelos Embaixadores com a presença de todo o corpo diplomático presente em Madrid? A resposta,
in case you're wondering, é
nada.
Chega o dia e eis que embebida no meu mais puro masoquismo – esta experiencia só podia correr mal – e inundada pelo reconfortante pensamento que poucas pessoas nesta vida terão a oportunidade de sofrer uma humilhação pública de cariz diplomático como eu poderia vir a ter, peguei em mim e lá fui. Ah! E de metro, está claro, que a minha humildade não me permite a utilização de motoristas e limusinas com bandeirinhas portuguesas para efectuar uma
grand entrance (demasiados filmes americanos não?).
E comprovado está, o que pode correr mal, corre. Não apenas me senti totalmente como peixe fora de água (imaginem aqueles peixes que saltam do aquário e ficam a dar saltos de desespero até morrerem sufocados) como cometi uma
gaffe gravissíma –
recusei o prato que a Embaixatriz me deu para me ir servir dos canapés. Pois é caros amigos, isto a vocês não vos diz nada e,
obviamente, a mim também não dizia, mas parece que uma falha destas pode acabar com a carreira diplomática de uma pessoas mesmo antes de começar (situação, estranhamente, parecida com a minha).
Deste modo, tendo posto em prática e, consequentemente, comprovado a minha teoria de que não tenho qualquer tipo de
social skills ou vocação para protocolos e rituais da alta sociedade (sou muito mais fã da filosofia americana
“cut the crap” do que das pomposidades europeias herdadas das cortes francesas), lambo as feridas da batalha pensado que, pelo menos havia Coca-Cola e, para alegria e comoção da minha querida mãe, tive a oportunidade de me vestir como uma senhora no meu melhor
chic executive style.