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Monday, February 23, 2009

Citizen Kane

É inevitável dedicar, novamente, um post àquele que é um dos meus lugares preferidos em Madrid – o Cine Doré, cinema pertencente à Filmoteca Española. Frequento este cinema com bastante regularidade já conhecendo e discutindo cinema com o senhor da livraria totalmente dedicada à film industry espanhola e além-paellas que o Cine Doré alberga. Não estivesse tudo em espanhol e eu, seguramente, já ali tinha gasto, para desconsolo da minha mãe e da minha conta bancária, uns quantos euros (além do boneco Woody Allen, ao qual não consegui resistir).

Desta vez, regressei para ver Citizen Kane. Qualquer cinéfilo sente um friozinho na barriga quando surge a possibilidade de ver um clássico como este na pantalla grande. Ou seja, não é todos os dias que podemos estar sentados numa sala de cinema a ver um filme com sessenta anos e, neste caso, aquela que é considerada a melhor película do século XX (altamente discutível, but still), provocando um sentimento de êxtase e, quiçá, privilégio – ou um sentimento de espanto para quem não acha piada nenhuma à coisa e está neste momento a pensar “como raio ela paga para ir ver um filme de 1941 com tanta festa Erasmus a acontecer em 2009?!”.


E por falar em salas de cinema… minha gente, esta mais parece uma autêntica sala de teatro de contornos decorativos manuelinos que não permitem evitar um “wow…” quando se entra. Enjoy!

Sunday, November 30, 2008

Fins-de-Semana Cinéfilos: II

Woody Allen!!

Peço desculpa mas isto merece um post of its own!

O melhor regalo desta sessão dupla de cinema na Filmoteca Española foi a compra deste (para mim) grande senhor que se vê na foto. Não contando voltar para casa com um realizador de cinema debaixo do braço, faltou-me a quantidade monetária necessária para que o Woody me acompanhasse, qual gentlemen, sábado à noite no regresso a casa.

Contudo, e como voltaria no dia seguinte para ver outro filme (e mesmo que não fosse ver nada, diga-se) pedi, encarecidamente, ao rapazito da livraria do cinema que guardasse o meu guru do sarcasmo, depressão profunda, angústia perante a vida e ateísmo (alguém já percebeu porque gosto tanto dele?) que eu iria buscá-lo no dia seguinte (tecnicamente, eu só pedi para ele guardar o boneco per se, mas o resto está implícito).

Como, também, se nota pela primeira foto, eu ando a coleccionar coisas nova-iorquinas compradas em Madrid (sevilhanas e castanholas não fazem bem o meu estilo).

Woody Allen… New York… É, inevitável.

Fins-de-Semana Cinéfilos: I

Ontem, sábado, resolvi cambiar esta personificação de ser social, que me possui desde Setembro do presente ano, pelo meu, actualmente dobrado e arrumado, anti-socialismo natural. Explico. Peguei em mim e fui, sola, ao cinema. Porque há prazeres que sabem melhor experienciados em voluntário isolamento, fui desfrutar de um filme brasileiro, Estamira, à Filmoteca Española.

Como é observável pelas fotos, o sítio é precioso! É verdade que fica numa rua duvidosa mas, depois de se passar a porta, é-se invadido por felicidade cinéfila!

Não ficando satisfeita com a dose cinematográfica de ayer, eis que regressei hoje para mais um filme – Che, El Argentino – (que esteve até há bem pouco tempo nos cinemas “normais” a 7,20€ e estava hoje na Filmoteca a 2€).

Reviews
Quanto às reviews dos ditos filmes, prometo não me alongar. Passando à frente da explicação das respectivas sinopses que podem ser lidas nos links facultados, refiro apenas que ambos são filmes fortes, não muito facéis de digerir, especialmente quando se notam os tiques de realizadores que querem, antes de fazer cinema, fazer coisinhas "artísticas". Mania que tem, quase invariávelmente, consequências nefastas (leia-se, aborrecidas) nas dinâmicas dos filmes. São, não obstante, boa obras que merecem ser vistas.

[Apenas me pergunto... Se o Che Guevara sequer sonhasse que se ia tornar num dos maiores símbolos do capitalismo (há lá coisa mais fashion, seja para um beto ou para um jovem auto-proclamado "comunista", que uma t-shirt com a cara do Che?!) professado pelos porcos imperialistas americanos que tanto desprezava, teria o senhor dado-se ao trabalho de andar naquela serra a guerrillar quando podia ter ficado em casa a fumar charutos e dançar tango argentino?]

Thursday, November 20, 2008

Sessão de Cinema Tuga

É a segunda vez que eu pago e o segundo país onde vejo este filme – Dot.Com. Desta vez não foi nos cinema da Lusomundo do Vasco da Gama mas sim no Cine Estudio del Círculo de Bellas Artes de Madrid, acompanhada por uma alemã e uma chilena.

Tal como o concerto do David Fonseca, este ciclo de cinema português está inserido na VI Mostra Portuguesa em Espanha e, sendo a segunda actividade lusa para a qual eu atraio gente estrangeira (a italiana já põe David Fonseca para receber visitas en su piso), bem que o Turismo de Portugal me pagava qualquer coisinha pelo part-time dedicado à divulgação do país!


Mas voltando à sessão de cinema. Houve direito a três filmes portugueses de seguida, ou melhor, um filme de animação de 10 minutos, um documentário de uma hora com os meninos da Crinabel a fazerem uma peça de teatro de Kafka e o Dot.Com.


Eu gosto genuinamente deste filme (quem me conhece acha mais estranho que eu tenha pago duas vezes para o ver do que o facto de o ter visto em dois países diferentes). Admito que tem falhas que fazem comichão a qualquer cinéfilo mas é tão despretensiosamente (adjectivo ainda difícil de associar a cinema português) cómico e os actores estão todos tão bem que é difícil não gostar. Para além disso, é sempre bom ver um filme sobre a luta de uma pequena aldeia perdida no Douro contra uma multinacional espanhola sedeada em Madrid.

“Os espanhóis invadiram-nos em 1580 e agora querem invadir-nos outra vez!”
“Estamos aqui, estamos todos a falar espanhol” “Muy bien! Muy Bien!”
“Acorda-me se formos invadidos pelos espanhóis!”

And my personal favorite…

“Águas Altas, a capital do Plano Tecnológico!”

E, porra! A t-shirt do merchandising que eu ganhei no concurso para a melhor crítica feita ao filme nunca chegou à minha caixa de correiro! Já lá vai um ano...

Posters em exposição no Cine Estudio. Obviamente o melhor que o cinema português tem para oferecer... Marisa Cruz e Soraia Chaves.

Wednesday, October 1, 2008

Vicky Cristina Barcelona

A vida, às vezes, tem destas coisas.

Faz hoje um mês que cheguei a Madrid e ando há uns dias a pensar no que escrever para celebrar tal acontecimento. Que palavras tão profundas e poéticas poderão ser utilizadas para descrever o que tenho passado? Nenhumas.

Ironicamente, sem me ter apercebido que hoje era, efectivamente, dia 1 de Outubro, fiz algo tão simples mas, também, tão carregado de um sentimento de satisfação e contentamento – fui ao cinema. E é exactamente sobre este comportamento social tão banal que vou escrever pois não existem quaisquer outras palavras, profundas ou poéticas, que possam descrever este mês como esta noite o fez.

Vicky Cristina Barcelona. Este filme irá, muito provavelmente, ficar-me na memória como uma das minhas maiores recordações de Madrid. Ir ao cinema ver um filme do meu realizador preferido, rodado no país em que me encontro, com referências a situações que vivo, com o grupo de Erasmus formado no curso de espanhol (como podem denotar pelas fotos, são quase sempre as mesmas pessoas). Isto tudo somado ao facto de o curso ter acabado ontem e amanhã todos termos outras vidas com aulas e novas amizades – embora com promessas de manter contacto – torna-se uma experiência transcendente.

O filme acaba e seguimos para casa. Saio do metro. Saco do bilhete de cinema e sorrio. Amanhã há vida nova. Fica a nostalgia do mês que passou.

P.S. Podem ficar descansados, vi o filme na versión original subtitulada. Não me deixo contaminar pelos vícios demoníacos dos espanhóis.