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Sunday, March 15, 2009

Dias Locos Part II

(Previously on… No Me Gustan Las Cucarachas)

Sexta-Feira, 12 de Março

Act IV

El Coche del Nacional-Catolicismo. Numa faculdade em que cerca de 70% dos alunos têm ideais políticos de (quase) extrema-esquerda, dos quais os mais convictos baseiam a sua vida na venda de gomas, escrever slogans marxistas-leninistas nas paredes e acusarem todos aqueles que não comparte as suas ideias de “fascistas!”, não é, própriamente, do gosto das massas descritas que alguém assuma, na faculdade que frequento, uns ideais direitistas convictos tais como ser uma ser uma fervorosa adepta de Aznar e do PP, numa época embebida de empatia Zapaterista, como é o caso de uma espanhola com quem me dou bem (e com a qual evito falar de política).

E eis que quando entro no carro dela para irmos a um Centro Comercial, deparo-me com o objecto decorativo do espelho retrovisor – uma fita da Nossa Senhora de Qualquer-Coisa envolta na bandeira de Espanha. Catolicismo e Nacionalismo… ring any bell? Como eu não sou de me abster destes comentários tão deliciosos disse-lhe que ela tinha um carro que agradaria a Franco… el coche del nacional-catolicismo! E não é que ela gostou do “elogio”?! E ainda me diz que tira aquilo na faculdade para não lhe vandalizarem o carro. Raios partam! Já uma pessoa não pode ter laivos de simpatia ditatorial sem sofrer censura! (Que ironia, no?) Foi a primeira vez que andei de carro em Madrid desde Setembro! E logo num carro franquista! O orgulho!!*

Act V

La Movida. E depois da tarde de compras, chego a casa para sair daí a trinta minutos devido a mais convites incessantes a requerer a minha presença para beber café con leche, salir de copas y hacer botellón. E só volto a casa quase na manhã do dia seguinte. Madrid me mata!!


The End!
(eu sei, não subi aos Montes Himalaias nem fui à China mas digam lá que não dei um tom de aventura catita aos eventos descritos!)

* (Nota do Editor: alguém que, por favor, denote o sarcasmo e não me venha perguntar se eu sou mesmo apoiante de Franco ou Salazar.)

Dias Locos: Part I

Desde quinta-feira passada que o meu corpo é intensa e internacionalmente requisitado para o mais variado tipo de eventos sociais. Aqui fica uma súmula dos ditos.

Quinta-Feira, 12 de Maio

Act I

Huelga general. Os alunos espanhóis, especialmente aqueles com “convicções” de extrema-esquerda que frequentam a Faculdade de Política da Universidade Complutense (ou pelo menos o seu bar e corredores) têm desde o princípio do ano lectivo um chupa-chupa bem docinho que não querem largar – protestar contra Bolonha. Esta é a segunda vez que fazem greve e lá foram eles, com as suas roupas em 5ª mão e cabelos cortados à navalha (coz that's what Lenin/Marx/Che would aproved) protestar para o centro de Madrid. Mas isto só depois de graffitar a faculdade toda com citações comunistas como “la lucha es el único camino!” e tirarem as portas das salas quase todas para que não houvesse aulas. Moral da história: fiquei a dormir.

Ao acordar, com um belo dia de sol, eis que recebo logo pela manhã (meio-dia) um convite para ir passar umas horas sentada na relva do Parque do Retiro com o Carl e o Jamie, pedido ao que imediatamente acedi (e no final do qual ainda me cruzei com os ditos protestantes em Cibelles). Depois de um agradável banho de sol, o Jamie segue para o aeroporto em direcção à chuva e ao nevoeiro de Manchester e eu sigo para casa com vista a preparar-me para um serão de luxo diplomático.


Act II

Hotel Intercontinental, Paseo de la Castella, Madrid. Aquilo a que os organizadores designaram por “I Jornadas para o Expatriado Português” tinha o título um pouco desfasado da realidade. Se o primeiro implica alguma espécie de encontro para ajudar os portugueses que se encontram no estrangeiro, o facto de ter sido feito num Hotel de Cinco Estrelas e apenas estarem presentes gestores, empresários, representantes de grandes empresas e representação diplomática – onde eu era, mais que seguramente, a única pessoa que fazia baixar a média do PIB per capita da sala uns pontos consideráveis – depressa se percebe qual o perfil do expatriado português presente no evento.

Mas como de preocupações sociais não se aproveita a vida, quero deixar aqui o meu grande bem-haja e agradecimento a todos os contribuintes portugueses que me permitiram desfrutar de um serão de divinos canapés, imensos candelabros e um porteiro a abrir-me a porta com ar de “deve estar enganada no sítio”.


Act III

La Latina. Depois de encher a barriguita com p máximo possível de canapés chiquérrimos, beber o máximo possível de coca-cola chiquérrima e roubar uns quantos pacotes de chá chiquérrimos eis que resolvemos ir beber mais copo (este já pago), deixar a alta sociedade lusitana e misturarmo-nos com a ralé local em La Latina, um dos sítios de la noche madrileña. E esclarecendo o plural da frase, o “resolvemos” aplica-se a mim, à actual estagiária do consulado e às amigas que ela levou para encherem a sala de conferências do hotel (pelo visto não há assim tanto português expatriado rico aqui).


(to be continued…)

Sunday, March 1, 2009

Erasmus Lectivo: 2º Semestre

Palacio de Cristal, El Retiro, Madrid

Embora o senso comum (ou o álcool) tenda a esquecer que a parte lectiva de Eramus, de facto, existe (para além do Erasmus Festivo) eis que depois de algumas semanas sem qualquer tipo de vida, dedicando a minha existência à doce actividade de estudar para os exames, nada melhor do que acabar os ditos numa sexta-feira e começar as aulas na… segunda-feira seguinte (não vamos cá perder o ritmo académico com futilidades como são uns dias de descanso!) Não obstante, o esforço valeu a pena e as cinco cadeiras estão todas feitas. Yupiii!!

E como contra o calendário do establishment académico a minha simples entidade estudantil estrangeira nada pode, toca a iniciar um novo semestre Erásmico sem mais demoras. Desta vez sem estágio mas como mais uma cadeira (deveriam ser mais duas, mas pareceu-me que não passei Badajoz apenas para ser uma escrava dos livros) ficando assim com a singela quantidade de seis asignaturas para fazer.

Política y Gobierno de los Estados Unidos (levantar-se-á uma grave crise existencial sobre a minha alma se eu chumbar a esta)
Política Exterior de España
Relaciones Internacionales Asia-Pacífico
Relaciones y Política Exterior de la Unión Europea
Ideologías Políticas
Análisis Comparado de las Democracias

Pela positiva, uma das melhores coisas que a Universidad Complutense de Madrid tem (ou pelo menos a Facultad de Política y Sociología) é o facto de o quinto e último ano de licenciatura de Ciencias Políticas y de la Administración oferecer uma variedade enorme de opções. São literalmente dezenas de cadeiras, muitas delas que não existem em mais nenhuma faculdade em Espanha, distribuídas entre cinco especialidades (Estudios Internacionales, Estudios Europeos, Estudios de América Latina, Análisis Política, Administración Pública). E dado que todas elas têm dois horários diferentes, a probabilidade de algo de que gostamos estar sobreposto é escassa.

Pela negativa, e uma tendência bastante curiosa que notei no 1º semestre e que confirmei no 2º, é o facto de os espanhóis não terem o mínimo interesse pelo resto do mundo. As cadeiras pertencentes às especializações de Estudos Internacionais e União Europeia – ou seja, o mundo para além de Espanha – são preenchidas, na quase totalidade, por alunos Erasmus, dedicando-se os alunos espanhóis apenas a cadeiras de ciência política pura que não os obriga a levantar as orelhas para além das paellas e do jámon. A cadeira que tenho sobre União Europeia tem 45 alunos, com 20 nacionalidades e… 5 espanhóis.

And although I find this a bit disturbing, it doesn’t really surprise me. Espanha não tem, em nenhuma Universidade, um curso superior de Relações Internacionais. E depois de ouvirmos um espanhol histérico ao telefone a queixar-se que o professor tinha posto um texto em inglês como pergunta de exame – uma blasfémia académica que nunca lhe tinha acontecido – tudo parece normal.

Úélcóme tú Espaine!

P.S. E o pior no meio disto tudo é que, mesmo com estas características, os espanhóis sabem -se dar valor e são o terceiro país mais visitado do mundo. Não teria Portugal capacidade para ser mais e melhor que Espanha se finalmente surgissem líderes políticos que ultrapassassem a contínua e histórica linha de mediocridade e corrupção que pautam a nossa classe política?

Gosto mais de Madrid do que de Lisboa e isso entristece-me.

Thursday, December 4, 2008

Say after me... Fascismo! Fascismo! Fascismo!

Ó coisa mai linda! A minha Faculdade de acolhimento nos jornais, na tv e, principalmente, no youtube! É o orgulho de qualquer Erasmus minha gente!



Contextualizando a cena exposta do vídeo, o senhor a quem se grita incessantemente “fascista! fascista! fascista!”, Josep Pique, foi Ministro de Asuntos Exteriores de Aznar, cuja conferência na qual participou ontem na Facultad de Ciencias Políticas y Sociologia de la Universidad Complutense de Madrid, teve o mau timing de coincidir com as recentes notícias de que o Governo de Aznar tinha conhecimento dos voos norte-americanos com destino a Guantánamo.

Como se pode observar pelas imagens, estes jovens resumem toda a sua argumentação política e ideológica à palavra “fascista!”. Já nem refiro a imensa falta de respeito e total perda de legitimidade que é, para qualquer ponto de vista, não deixar o “adversário” falar mas, pior e o que me irrita profundamente, estes meninos passam o dia inteiro sem fazer nada à porta do bar a fumar ganzas, graffitar paredes com slogans e desenhos “anti-fascistas” (outra vez, não conhecem outra palavra) e a vender gomas e depois pensam que detêm grandes convicções políticas quando falam em monossílabo em frente a uma câmara de televisão.

Ademais, protestarem concreta e sustentadamente por coisas que afectam directamente os alunos como, por exemplo, o facto de terem posto a paragem de autocarros no cú de judas ou a faculdade não ter o mínimo aquecimento estando, literalmente, mais frio dentro das instalações do que na rua, já não é com eles. Têm demasiado pedigree para desperdiçarem tempo com ninharias destas.

Talvez devêssemos amarrar um preso de Guantánamo à paragem para que a causa se torne digna o suficiente para as convicções dos senhores.

P.S. O senhor Enrique Curiel, organizador do evento que também se encontra nas imagens é meu professor de Cultura y Participación Política en España. E assim bem se vê que cultura e participação é essa.

Monday, November 24, 2008

Momentos WTF do Dia

Pedagogia Académica


I. Quando se está a discutir a história das Relações Internacionais, focando o papel do Japão na mesma, não deixa de ser genial ter uma professora que troca constantemente a palavra Japón por Jamón. Quando a vocês não sei, mas eu adorei este conceito alternativo de pensar os países que constituem a nossa singela conjuntura internacional, em termos suínos. Se o Japão é um presunto, os EUA são, provavelmente, um porco bem gordo preparado para abate, a China é o leitão que cresce a olhos vistos para se tornar num belo porco e Portugal é aquele toucinho branco metido no meio da carne das espetadas que mal se vê e serve apenas para lhe dar um gostinho extra.

II. Todos vocês, caros colegas universitários, de certo estão familiarizados com a sensação de, por vezes, não apanhar o que um professor diz naquelas – sempre adoráveis e estimulantes – aulas de teoria incessantemente, exposta em formato ditado-monotónico de noventa minutos e, por tal, lançam o olhar no caderno do colega do lado para copiar aquela palavra ou frase que faltaram. Agora imaginam isto com o professor a falar espanhol e com o caderno do lado todo escrito em turco. Turco.

Saturday, October 18, 2008

Vida Académica

Aqui está a faculdade que me acolhe, às 10h da manhã, qual de nós com o ar mais sonolento e vontade de continuar em silêncio sem as almas mais despertas caminhando entre nós.

As cadeiras estão escolhidas e cada uma trás consigo um generoso cabaz de trabalho que, somando ao estágio e ao respectivo relatório (do qual falarei noutro post), começam a deixar-me com uma lágrima de pânico no canto do olho. *Inserir palavras de reconforto aqui!* -Vida de Erasmus não é suposto ser fiesta all day/night long?!

De qualquer modo, estou contente. E sinto esse contentamento crescer quando me apercebo que de facto estou noutro país, com outra vida, a tornar-me uma pessoa diferente (é cheesy, eu sei). Mas, acima de tudo, estou verdadeira contente de não estar no ISCSP neste este último ano de licenciatura.

Don’t get me wrong, sinto a falta de algumas pessoas (yeah Johnny Feather, I’m looking at you) mas aquele lugar consumiu partes de mim que eu quero de volta. É bom poder ir para a faculdade com a guarda em baixo ao invés de armada contra os possíveis surrealismos diários de quem quer chegar ao topo mesmo que pertença no lugar baixo possível. Mas falar é dar importância e o importante para mim está a anos luz dessa realidade.

Para finalizar, enumero as cadeiras, las asignaturas, que estou a fazer neste primeiro semestre:

- Conflito Politico e Violência Colectiva
- Forças Religiosas e Sociedade Internacional
- Cultura e Participação Política em Espanha
- História dos Movimentos Sociais
- História das Relações Internacionais

Friday, October 10, 2008

Internacionalismo Culinário

Hola chicos y chicas, gaijos e gaijas!

Como hoje não tenho muito tempo para actualizar o blog, e como já não ponho aqui nada há dois dias (o sacrilégio! os fans que já choram pela demora!), deixo-vos apenas umas linhas que, espero, vos causem alguma inveja.

Almoço de Hoje: com 1 norueguês, 1 cubano, 1 austríaco e 1 turca.
Jantar de Hoje: pasta italiana com molhos enviados de Itália, tudo confeccionado por italianos!

Hasta mañana!

Wednesday, October 8, 2008

Novas Tendências

De uma faculdade de (extrema) direita para uma de (extrema) esquerda.

Já imaginaram o nosso belo ISCSP a albergar uma associação deste tipo? Ou a ter A’s anárquicos grafitados pelas nossas belas instalações no Alto da Ajuda? Ou mesmo ver os alunos a trocar o seu sapato de vela por roupa em segunda mão dos anos 70?

Fosse eu alguém que liga alguma coisa a esta redundância de catalogar a política entre direita e esquerda, cima e baixo, norte e sul - o que lhe queiram chamar - e talvez esta mudança de ares me causasse algum transtorno. Claramente não é o caso.

Para mim, seres humanos são tão vítimas e tão motores da sua Humanidade em qualquer dos lados da barricada.

Sunday, September 28, 2008

Orange County

Cá está ela! A minha singela e longínqua Faculdad de Ciencias Políticas y Sociología da UCM que irei frequentar, assiduamente, a partir da próxima semana.

E, qual não foi o meu ar de felicidade, quando leio o seguinte aviso “Reunião, dia 2 de Outubro, para Alunos Erasmus e Alunos da Universidade da Califórnia.”

Universidade da CALIFÓRNIA?!

California here we come,
Right back where we started from,

Californiaaaaa!
Here I cooooome!


Ah… wishful thinking…