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Tuesday, February 3, 2009

Estágio: Fim!

Será que posso acreditar que o estágio, efectuado na Embaixada de Portugal em Madrid, foi uma experiência óptima que acabou da melhor forma? Yes, I Can!!

O ar de dever patriótico cumprindo

Depois de três meses de extrema dedicação laboral árdua, eis que vejo a qualidade do meu suor ser recompensada com uma festa de despedida surpresa, champanhe, postal com dedicatória e até prenda! Além, claro, da presença de todos os funcionários, inclusive do xôr Cônsul e do Adido Militar! Pretty cunning dontcha think?! Eu achei!

Foi uma espécie de momento full circle final de uma experiência incrivelmente boa que, apesar da exaustão física e mental derivada da intensa conjungação verbal erásmica, tenho mesmo muita pena de terminar. Devo muito a todos os funcionários – Raul, Isilda, Catalina, Maria José, Teresa e os demais – que me ajudaram em tudo from day one, incluindo a oferenda de bolachas, bolos e fruta a esta criança vítima de subnutrição, característica comum dos Erasmus (espécie de escorbuto académico internacional).

É, também, inteiramente devido, um agradecimento ao Cônsul que além da pessoa acessível que sempre foi, escreveu-me uma bonita e singela (muito boa mesmo) Carta de Recomendação que, convicta e orgulhosamente, irei erguer bem alto assim que me puser na fila do Centro de Emprego de Sacavém.

Em suma, esta foi a minha primeira experiencia laboral, correu muitíssimo bem, terminou ainda melhor e, acima de tudo, valeu por ter conhecido pessoas que dificilmente esquecerei.

Hasta la vista!

Eu e a Entidade Patronal, o Cônsul (meninas, eu sei...)

Tapas e Champanhe

Ilustres Convidados

Monday, December 15, 2008

Almoço de Natal Consular


Eu prometi a mim mesma que limitaria ao máximo qualquer referência ao estágio. Isto porque me conheço bastante bem e sei que sendo desbocada (desteclada?) não consigo controlar esta sinceridade avassaladora que me domina espírito e voz e que me impede, tanto de dominar as artes protocolares deste mundo, como ajuda a manter o meu circulo de amigos algo muito selecto e restritivo – constituído por aquelas (poucas) pessoas que numa lógica de “uma pessoa ou te adora ou te odeia” decidiram adorar-me (cof cof e cof).

Contudo, sendo já o segundo post seguido sobre o tema, passo, desde já, a desculpar a escritura consecutiva sobre a minha exploração laboral gratuita com o facto de ser Natal, haver música catita e ser a comemoração do aniversário dessa criança-símbolo da conspiração demoníaca mundial que é a Igreja Católica – o menino Jesus. Natal para mim é o da Coca-Cola e ai de quem me venha com a versão religiosa que estragam-me já a época! E é embebida deste espírito natalício que prometo só voltar a tocar no assunto do estágio quando fizer o post sentimental da despedida.

Disto isto e esperando que nenhum poder superior descubra o meu humilde blog (porque eu sei que sou linguaruda e gosto de dizer que tenho um blog…) vou reflectir um pouco sobre o episódio de hoje. Então, hoje, foi o almoço do Consulado no restaurante "As Fontaiñas" do português, já com bastante sotaque espanhol, o sr. Telmo dos Santos, que alberga uma decoração eclética com quadros de Lisboa misturados com quadros de toureiros espanhóis. Um must! A comida estava óptima e, tirando a conta para pagar (não tão óptima) que fez alguma mossa na minha, sempre pobre, conta bancária, o dito almoço foi pretty cool. Tanto parágrafo para dizer apenas que tive bastante sorte com os colegas que me calharam na rifa.

Muito provavelmente nenhum deles vai ler isto mas vou eu, daqui a muitos anos (quando me bater o saudosismo deste primeiro e único emprego – e nem sequer isso é!– decente que tive antes de ir parar à fila do Centro de Emprego de Sacavém) e relembrarei como a Isilda, a Catalina, os demais e, especialmente, o Raul foram um apoio incrível, que me fizeram, não apenas, sentir em casa mas, principalmente, sentir saudades da parte mais entediante (se isto chegar a instâncias superiores, é favor ler “entusiasmante”) do estágio como fazer paradeiros e responder a e-mails de pessoas que só mereciam um “olhe, www.google.com e não chateie mais”.

E para quem, dos meus já apenas dois leitores e um terço, está a pensar "o que raio este texto tem a ver com a foto" eu tenho apenas a dizer... a CATALINA É GRANDE!!! Não é que esta senhora foi a Nova Iorque e trouxe-me o que eu pedi?? A t-shirt com o famoso símbolo que se vê na foto! She made my day! Damn, she made my whole month!!

Friday, December 12, 2008

Lanche de Natal Diplomático

Me, shockling enough, in a dress. But cute as always!

Porque isto de trabalhar numa Embaixada tem regalias mais profundas do que a mera aquisição de bilhetes gratuitos para o concerto do David Fonseca em Madrid. Oferece, a um estagiário explorado a custo zero, a inestimável possibilidade de entrar nos mais restritos circuitos sociais da diplomacia nacional além-mar (ou além Badajoz). Isto é, receber um convite formal (pelo circuito interno de e-mails da DGACCP) para estar presente no Lanche de Natal que suas excelências, os Embaixadores, gentilmente oferecem aos funcionários diplomáticos e às respectivas famílias na sua modéstia residência oficial, o Palácio que alberga a Embaixada, numa sexta-feira ao fim da tarde.

Fora o profundo sarcasmo impresso no parágrafo findo, a verdade é que fiquei bastante, digamos, abananada, com o convite. O que é que eu, estudante universitária, cliente do McDonalds, compradora de roupa nas afiliadas do mundo Zara e utilizadora de ténis deste que os meus pés assimilaram a função motora já lá vão 20 anos, sei sobre estar presente num Lanche de Natal oferecido pelos Embaixadores com a presença de todo o corpo diplomático presente em Madrid? A resposta, in case you're wondering, é nada.

Chega o dia e eis que embebida no meu mais puro masoquismo – esta experiencia só podia correr mal – e inundada pelo reconfortante pensamento que poucas pessoas nesta vida terão a oportunidade de sofrer uma humilhação pública de cariz diplomático como eu poderia vir a ter, peguei em mim e lá fui. Ah! E de metro, está claro, que a minha humildade não me permite a utilização de motoristas e limusinas com bandeirinhas portuguesas para efectuar uma grand entrance (demasiados filmes americanos não?).

E comprovado está, o que pode correr mal, corre. Não apenas me senti totalmente como peixe fora de água (imaginem aqueles peixes que saltam do aquário e ficam a dar saltos de desespero até morrerem sufocados) como cometi uma gaffe gravissímarecusei o prato que a Embaixatriz me deu para me ir servir dos canapés. Pois é caros amigos, isto a vocês não vos diz nada e, obviamente, a mim também não dizia, mas parece que uma falha destas pode acabar com a carreira diplomática de uma pessoas mesmo antes de começar (situação, estranhamente, parecida com a minha).

Deste modo, tendo posto em prática e, consequentemente, comprovado a minha teoria de que não tenho qualquer tipo de social skills ou vocação para protocolos e rituais da alta sociedade (sou muito mais fã da filosofia americana “cut the crap” do que das pomposidades europeias herdadas das cortes francesas), lambo as feridas da batalha pensado que, pelo menos havia Coca-Cola e, para alegria e comoção da minha querida mãe, tive a oportunidade de me vestir como uma senhora no meu melhor chic executive style.