Tuesday, September 16, 2008

Larger Than Life


"Não vou procurar quem espero
Se o que eu quero é navegar
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar

Parto rumo à Primavera
Que em meu fundo se escondeu
Esqueço tudo do que eu sou capaz
Hoje o mar sou eu

Esperam-me ondas que persistem
Nunca param de bater
Esperam-me homens que resistem
Antes de morrer

Por querer mais do que a vida
Sou a sombra do que eu sou
E ao fim não toquei nem nada
Do que em mim tocou

Eu vi, mas não agarrei
Eu vi, mas não agarrei

Parto rumo à maravilha
Rumo à dor que houver p'ra vir
Se eu encontrar uma ilha
Paro p'ra sentir

E dar sentido à viagem
A sentir que eu sou capaz
Se o meu peito diz "Coragem!"
Volto a partir em paz"

Ornatos Violeta
Capitão Romance

Monday, September 15, 2008

Parque del Buen Retiro

Acordar de manhã, tomar o desayuno, sair de casa num dia de sol, descer até ao metro e seguir até ao Sol. Passear no centro, ir à Fnac e comprar livros em inglês e espanhol. Escolher algo para almoçar no El Corte Inglês e seguir de novo para o metro até ao Parque do Retiro.

Uma portuguesa em Madrid a ler um livro, em inglês, sobre Espanha, debaixo de uma árvore num parque bem catita. Arrumar tudo e ir para o curso de Espanhol onde encontro umas dúzias de estudantes Erasmus.

Ainda bem que há dias assim.

Sunday, September 14, 2008

La Noche En Blanco

Madrid by Night

Ontem foi Noche en Blanco aqui em Madrid. Uma iniciativa já levada a cabo em várias cidades da Europa que consiste, muito sucintamente, no decorrer de diversas actividades culturais , simultaneamente, por diversas pontos da cidade – museus abertos, exposições, espectáculos de rua, you name it. É claro que na teoria é óptimo mas na prática é impossível de entrar em qualquer museu, exposição ou ver qualquer espectáculo de rua porque as calles estão inundadas de milhares de pessoas. O metro, que fica aberto até as 3h da manhã, estava pior a essa hora da madrugada do que em hora de ponta.

De qualquer maneira, eu gostei bastante. Não apenas porque poder andar livremente na Gran Via é uma experiência única, como se vive a cidade de uma maneira diferente. Eu fui com pessoal do curso de espanhol – 4 tugas, 1 alemão, 1 coreano, 1 italiana e depois o total deste número multiplicado pelos amigos dos amigos de outras nacionalidades que também foram. Foi de facto uma grande experiência.

Fotos do evento serão colocadas nos próximos dias!

Saturday, September 13, 2008

Encontros do 1º Grau

Palácio Real ao fundo.

Esta semana que passou teve início o Curso de Espanhol, gentilmente oferecido aos alunos Eramus pela UCM. As primeiras impressões foram boa, especialmente pelo enorme gosto de conhecer o Alejandro – um sul-coreano que se auto-baptizou com tão singelo e ocidental nome. Quando lhe perguntei o porquê desse nome – é deveras estranho chamar um rapaz tão obviamente asiático por um nome tão obviamente latino – disse-me que era fan de Alejandro Sanz e que assim as pessoas não teriam dificuldade em dizer o seu nome, como seria o caso se utilizasse o seu nome de origem. É uma grande personagem, sem dúvida.

Outras personagens já encontradas são os tugas. Apesar de apenas se terem conhecido aqui, já está tudo amigo com trocas de números de telemóvel espanhóis recém-comprados e combinações de cafés (de preferência numa loja Delta, porque o café português é outra loiça!).

Povo que parece que se mudou em peso para Madrid são os alemães. Muuuuitos, muitos, muitos Erasmus alemães. Eles gostam bastante disto mas faz-lhes um pouco de confusão a falta de organização latina em comparação com os métodos ultra planeados alemães. Ainda ontem dizia-me uma alemã (sem crítica, apenas incrédula) que tinha ido à Oficina de Erasmus da sua faculdade e que a mandaram embora porque não tinham tempo para a atender. Eu reconfortei-a tentando explicar o latin way of life.

Nota Final: Quem quiser asilo político em Madrid apenas tem que pedir e preencher o formulário. Aviso que têm de dormir no sofá mas se a francesa aqui da casa pode cá meter meia França quase todos os dias a dormir (só hoje foram dois), eu também posso albergar todo o Portugal que me apetecer.

Thursday, September 11, 2008

The Eagle Has Landed

Publicade ao Algarve, espalhada por algumas estações de metro de Madrid.

Depois do post da excitação inicial e do post da amargura sentimental, eis que brindo os meus três leitores e meio com o primeiro post da “rotina” que se segue e das peripécias dos primeiros tempos.

Como fazer Erasmus não seria Erasmus na sua essência verdadeira sem momentos de pânico, tive o meu logo no segundo dia que aqui cheguei. A casa inicialmente atribuída pela Universidade Complutense de Madrid não seria voluntariamente habitada pelos moradores dos mais distintos bairros sociais portugueses – tudo partido, podre, queimado, estragado e avisos oficiais, da universidade, afixados das paredes a pedir que se parem com as festas porque os vizinhos não param de reclamar (!). A este sinal do apocalipse não pude deixar de entrar em pânico - primeiro com o pensamento de morar ali um ano inteiro e depois com o pensamento de ficar a morar na rua se não ficasse ali. Como parece que o senhor responsável pelo alojamento engraçou comigo, prontamente me trocou de casa depois de um choradinho meu.

Agora vivo com 3 chicas:
Benedetta – Verona, Itália
Pauline – Paris, França
Sophie – Londres, Inglaterra

A conversação diária torna-se um pouco difícil porque a italiana e a francesa não dizem uma palavra de inglês e a inglesa recusa-se a falar inglês, adoptando o espanhol como língua materna (e quando não sabe o espanhol sai-lhe um “FUCK!”). A mim resta-me mesmo tentar gesticular algo em portunhol para que alguma ponte comunicativa seja estabelecida!

Faço uma pausa na escritura deste post para ir preparar um arroz de atum, confecção culinária que convictamente jurei, aqui em casa, ser um dos pratos mais tradicionais da maravilhosa comida portuguesa.

Wednesday, September 10, 2008

Houston, We Have a Problem

Jardins de Sabatini, ao lado do Palácio Real

É difícil começar a escrever por algum princípio específico quando tudo são princípios, quando há um turbilhão de mudanças, sentimentos, e tudo o mais a gritar cá dentro. Apesar de toda a vontade que acumulo há anos para fazer isto, a verdade é que me faltou avaliar correctamente aquela que, agora, encaro como, provavelmente, a variável mais importante da equação – os sentimentos. Apesar de o negar muitas vezes, levei na última semana e, principalmente agora que estou verdadeiramente sozinha, uma chapada na cara da minha tão disfarçada Humanidade.

Não avaliei a dificuldade de abdicar daquilo que tinha e que julgava poder por em stand-by sem grandes problemas. Não julguei que fosse sentir tão fortemente a perda de algo. E é nestes momentos que os medos e angústias até então escondidos começam a ecoar mais alto do que a vontade e a determinação que me guiam. Serei capaz? E se perdermos o que ficou por algo que não valeu a pena?

Todos os Erasmus com quem falei disseram-me, invariavelmente, o mesmo “Se aguentas as duas primeiras semanas, aguentas o resto.”. Agarro-me, agora, a estas palavras como profecias dogmáticas. E para quem se pergunta em que dia destas duas semanas estou (ou se já o passei), respondo que escrevo estas palavras no primeiro dia (08/09/08) em que me encontro verdadeiramente sozinha em Madrid, on my own.

A ti agradeço a semana (os anos?) de apoio e tudo o mais. You twist to fit the mold that I am in (well, at least sometimes).

E a vocês agradeço estarem aí, dizerem-me que eu tenho braços abertos para onde voltar (I’m blinking an eye at you bongo sister).

Un beso a todos!

Elvis Has Left The Building

Data: 01/09/08 a 08/09/08

Finalmente um pouco de actualização no blog, depois de uma primeira semana um pouco louca, agradecimento da Internet do vizinho do lado e utilizada a partir do quarto de uma co-habitante deste tão singelo apartamento fornecido pela generosa Universidade Complutense de Madrid e que alberga quatro nacionalidades diferentes.

Ficam, então, alguns momentos da partida e da dita primeira semana (aquela que ainda me dá vontade de verter umas lágrimas sempre que penso nela). Por tal, não alongo o discurso e deixo as fotos falarem por si.